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.:: Entendendo as
fraudes bancárias:
Introdução
Estamos vivendo em uma época cercada de fraudes de diversas
origens e formas. Uma das fraudes mais comuns atualmente na Internet
é a prática conhecida como Phishing Scam, que consiste basicamente
no envio de e-mails fraudulentos, onde o autor, através de
Engenharia Social, convence o usuário a baixar e executar um
programa malicioso.
A Fraude
O usuário recebe um email fingindo tratar-se de uma notificação
de dívida, uma irregularidade em seu CPF, um álbum de fotos de uma
pessoa conhecida, cartões virtuais da pessoa amada, etc. Conforme os
temas vão sendo abordados na web e ficando conhecidos, os autores
criam novos temas com outros apelos, utilizando, por exemplo, a
curiosidade do usuário. Podemos encontrar e-mails com textos que
lembram da banda da banda Mamonas Assassinas, oferecendo o download
de fotos do desastre que ocorreu com seus integrantes.
Muitas vezes o email finge ser uma mensagem autêntica,
proveniente de uma grande empresa, trazendo uma boa formatação,
logotipos e outras características de cada empresa. Em outras
ocasiões, é apenas um assunto curioso que leva a vítima a efetuar o
download e executar o arquivo. Quase sempre estes arquivos ficam
hospedados em servidores gratuitos ou comprometidos fora do Brasil,
o que dificulta o rastreamento ou mesmo a remoção do arquivo para
diminuir o número de pessoas infectadas.
O arquivo nem sempre é barrado por um antivírus, o que aumenta o
poder do golpe. Como são feitas inúmeras versões dos programas,
existe uma demora para que eles sejam reconhecidos pelos antivírus.
Esse tempo é explorado pelos fraudadores.
Depois que o usuário executa o trojan, nada acontece. Em alguns
casos ocorre uma mensagem de erro, obviamente falsa, apenas para que
o usuário pense que o programa não funcionou e não suspeitar da
verdadeira origem do software executado. Agora este trojan vai ficar
monitorando o acesso aos sites da Internet e irá “acordar” quando o
usuário estiver acessando a sua conta bancária.
Como os bancos constantemente estão aumentando a segurança em
seus sites, os trojans têm que se adaptar à essa situação. No
passado, a técnica utilizada para adquirir os dados de correntistas
era baseada na gravação das teclas digitadas e posterior envio por
email. Com o advento dos teclados virtuais e outras técnicas
desenvolvidas pelos bancos, os keyloggers foram substituídos por
programas que alteram ou mesmo sobrepõe as telas originais dos
bancos. Temos a falsa sensação de segurança quando clicamos nossas
senhas ao invés de digitarmos, pois os trojans atuais imitam a tela
do sistema de login do banco.
Mas atenção: o sistema de login pede apenas informações básicas
para o acesso à conta. Já os trojans solicitam todos os seus dados,
além da senha de acesso. É comum solicitarem CPF, data de nascimento
a senha do cartão como números de seu cartão (isso pode variar em
cada banco). Essa solicitação é única em uma só tela ou dividida em
várias telas (normalmente seguidas). É fácil identificar que algo
está errado. Se você for vítima, pare a operação e comunique o
banco.
Quando o usuário coloca todas as informações de acesso completo à
sua conta, normalmente o trojan exibe uma falsa informação de erro e
fecha o navegador. Neste momento, o trojan envia, normalmente
através de email, as informações do correntista. Em grande maioria,
são utilizados emails em provedores gratuitos e quase sempre fora do
Brasil. Assim como na hospedagem dos programas, isso dificulta o
rastreamento e identificação dos crackers.
A mecânica destes programas é diferente de outros trojans que
abrem uma BackDoor no sistema. Ao invés de termos uma porta aberta
esperando que o computador seja invadido, o próprio trojan envia as
informações para o destinatário (cracker).
Já de posse dos dados do correntista, o cracker vai testar as
informações no própio site do banco. Ele analisa saldo e datas de
eventuais recebimentos (como salários). Avalia ainda as restrições
da conta, como limites de valores para transferências, DOCs, etc. Os
dados serão guardados para posterior utilização de acordo com o
perfil da conta.
Retirando os valores
Os crackers subtraem valores das contas de várias formas:
- Através de transferências para outras contas da mesma rede
bancária (*)
- Através de DOCs para outros bancos (*)
- Efetuando pagamentos de títulos e boletos de compras
efetuadas na própria internet
- Efetuando pagamentos de boletos criados por laranjas que
possuem esquemas de cobrança
- Carregando celulares pré-pagos registrados com nomes falsos
- Em casos de contas sem saldo mas com crédito pré-aprovado
chegam a tomar empréstimos para efetuar as transações acima
(*) estas transações normalmente são efetuadas para contas de
laranjas que possuem contas com nomes e documentos falsos e até
mesmo para suas próprias contas.
Os crackers programam suas operações de forma que farão a maior
quantidade de transações permitidas em um ou dois dias seguidos,
sendo que quando o correntista nota o golpe, já é tarde demais.
Assim que o correntista comunica o fato ao banco, normalmente o
acesso à sua conta é bloqueado por vários dias, enquanto o banco
pratica a perícia para comprovar se houve fraude.
Normalmente o correntista é ressarcido pelo banco, que devolve à
C/C a quantia total da fraude. Entretanto, são vários dias com a
conta bloqueada e sem cartão. Quem é que paga por toda essa dor de
cabeça?
Dicas para evitar esses golpes
- Um bom
firewall pode impedir o envio de seus dados para o cracker
pois pode bloquear o o trojan de acessar Internet, emitindo um
aviso que um programa está tentando um acesso suspeito à
internet. Se isso ocorrer durante um acesso à contas bancárias,
pare o processo e comunique ao banco imediatamente.
- Antes de abrir um email ou efetuar o download de um arquivo
executável (.exe, .scr, .bat, .pif, .com), procure verificar a
sua origem. Caso a mensagem seja anônima, pense: devo mesmo
correr o risco e abrir esse programa? Caso a mensagem seja de
uma grande empresa, onde você seja cliente, consulte o site da
empresa. Quase nenhuma empresa de telefonia, instituição
financeira ou qualquer outro tipo notifica débitos ou expõe seus
dados em email. Telefone para a empresa e verifique se o email é
autêntico.
- Verifique também o destinatário da mensagem no campo Para. A
mensagem é para você? Normalmente é feito um spam de mensagens
para inúmeras pessoas de uma lista. Observe se o email realmente
tem aspecto verdadeiro.
- Se você achar seguro efetuar o download do arquivo, observe
na barra de status de seu navegador ou programa de e-mail o
endereço do arquivo ao apontar o mouse para o link, ou copie o
atalho e cole na barra de endereços do navegador. Sendo um
provedor gratuito, com nomes e endereços estranhos, desconfie.
Será que uma grande empresa com sólida estrutura precisa
utilizar provedores assim?
- Evite informar seu email em sites duvidosos, em salas de
chat, em anúncios na internet. Utilize um segundo email para
assuntos secundários e lazer na web. Assim, você mantém seu
email ‘oficial’ para assuntos mais delicados. Descarte mensagens
duvidosas que chegarem em seu email opcional.
- Evite a utilização de senhas simples e procure mudá-las com
frequência.
- Observe atentamente como funciona o sistema de internet de
seu banco. Em caso de dúvidas ou suspeitas, não hesite! Caso
tenha notado que caiu em golpe, não demore. Vá imediatamente à
sua agência e mude todas as suas senhas. É a forma mais segura
de evitar prejuízos.
- Indique aos seus amigos essas dicas. Denuncie. A informação
é a arma mais poderosa contra fraudes deste e outros tipos.
Antes de divulgar qualquer as informação, é importante consultar
sua veracidade. Há vários boatos circulando na internet.
- Mantenha seu sistema operacional sempre atualizado, bom como
seu antivírus e softwares de proteção.
- Visite a seção
Downloads, baixe e instale programas para a prevenção e
diagnóstico.
- Visite também nosso
Fórum,verifique as dúvidas já publicadas e tire as suas.
- Leia também o artigo
Segurança pessoal na rede.
Sobre o autor
Especialista em redes, servidores Microsoft e segurança da
informação,
Marcus Vinicius F. Beltran atua como consultor de empresas na
prevenção e investigação de fraudes.
Fonte:
Linha
Defensiva
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